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A COVID-19 TORNOU SUA EMPRESA OBSOLETA?

Texto adaptado de Cezar Taurion*, extraído do site Neofeed.

Quanto mais sua empresa demorar para se transformar, mais irrelevante será.

 

As soluções digitais servem também para criar novas ofertas de serviços e engajamento com seus clientes.

 

O futuro que aconteceria daqui a alguns anos veio para o presente. Muitas pessoas hoje acordam, pegam o celular, olham as notícias, acessam redes sociais (boas ou ruins), fazem transferências eletrônicas, checam emails, se exercitam com os vídeos da sua academia, entram em videoconferências, pedem comida pelo app, assistem filmes em streaming…

 

O que parecia impossível poucos anos atrás é realidade hoje. E o que parece impossível hoje, será realidade amanhã.

 

Tudo está se movendo mais e mais rápido.

 

Como será o mundo pós-Covid para as empresas aéreas e para os shoppings? Não sabemos, mas teremos mudanças significativas em nossos hábitos e isso irá impactar todos os negócios.

 

As empresas acabaram se acomodando, fazendo o que sempre fizeram, com apenas algumas melhorias incrementais. Terão dificuldades de se ajustar ao “novo normal”, qualquer que seja ele.

 

Lembre-se das “grandes e sólidas” Blockbuster, Nokia, Kodak, HP e Blackberry… 

 

Uma pesquisa global da MIT Sloan Management Review, antes da pandemia, já havia apontado que 90% dos executivos entrevistados diziam que suas indústrias sofrerão rupturas significativas em poucos anos, mas apenas 44% se disseram preparados para enfrentar tal disrupção. 48% das empresas globais não sabiam dizer como será seu setor daqui a três a cinco anos. E apenas uma pequena minoria está perto de concluir sua transformação digital.

 

Três fatores essenciais de produção se tornaram muito mais baratos e continuarão a baratear: informação, conectividade e poder computacional.

 

Toda e qualquer indústria é afetada por esses fatores. Seja nas indústrias como a automotiva, com os veículos autônomos reinventando a própria indústria, seja nos setores de serviços como hoteleiro, financeiro ou seguros. As empresas da era pré-Internet, típicas do modelo da sociedade industrial, construíram seus negócios baseados no conceito da escassez de informações, recursos de produção e distribuição, e alcance de mercado.

 

As empresas pós-Internet foram construídas sob outro paradigma, onde os três fatores essenciais acima são abundantes e com isso geraram efeitos perturbadores no status quo do mercado. Um Airbnb não precisa de prédios, escassos e caros de construir, para hospedar pessoas. Foi um negócio construído por outra ótica, onde a abundância dos fatores como capacidade computacional e informações permitiu criar um modelo de negócios em plataforma, agregando quem quer alugar um espaço com quem quer se hospedar.

 

Em 2016, a Unilever (da chamada economia pré-Internet) comprou por US$ 1 bilhão uma startup chamada Dollar Shave Club.

 

Com um modelo digital de venda direta por assinatura, no qual o cliente paga um pequeno valor mensal para receber um pacote de produtos, ela conseguiu alcançar em poucos anos 3,2 milhões de assinantes e um faturamento de mais de 150 milhões de dólares. Sem fazer nenhum investimento em propagandas nas mídias tradicionais como televisão. E de quem ela roubou essa fatia de mercado? Da gigantesca Procter & Gamble, dona da marca Gillete e com mais de 180 anos de vida.

 

Por que essas coisas acontecem? Porque as empresas tradicionais olhavam e ainda olham o mundo digital como apoio ao seu negócio e não como um fator essencial de produção. Clayton Christensen, autor de “Innovator´s Dilemma” disse:

 

“O pior lugar para desenvolver um novo modelo de negócios é dentro do seu modelo de negócios existente”.

 

Criar uma cultura digital é um esforço intencional e não obra do acaso. Uma cultura digital não se cria apenas com slogans de “somos digitais”, e ao mesmo tempo continuar a manter os processos e as estruturas organizacionais da sociedade analógica. É um esforço de mudança de conceitos que precisa do comprometimento de todos. Deixar a transformação digital por conta, por exemplo, de poucas pessoas ou da área de TI, não vai dar certo. Não conseguirá mudar a cultura corporativa. Home office e e-commerce já não são mais novidade.

 

O ambiente de trabalho hoje é totalmente diferente. Está mudando conceitos de organização, formas de trabalho e papéis de colaboradores e escritórios.

 

Planejamentos anuais já começam a ficar lentos demais.

 

O cenário de negócios é volátil, incerto, complexo a ambíguo. As empresas têm que tomar decisões e fazer as coisas muito mais rápido que estão acostumadas.

 

No modelo mental digital a inovação tem que ser rapidamente apresentada, discutida e, se aprovada, implementada. A organização e os processos tradicionais agem contra a transformação digital pois foram concebidos sob outro paradigma.

 

O futuro vai pertencer às empresas que se moverem rápido e inovarem continuamente. A conceituada publicação Fortune reconheceu isso em um estudo, junto com o Boston Consulting Group, e publicou a lista das Future 50, as 50 empresas que provavelmente são ou serão as líderes no mercado. Amazon, Alibaba, Tesla, Netflix, Spotify, Salesforce…

 

Quanto mais sua empresa demorar para se transformar, mais irrelevante será.

 


 

*Cezar Taurion é Partner e Head of Digital Transformation da Kick Corporate Ventures e presidente do i2a2 (Instituto de Inteligência Artificial Aplicada). É autor de nove livros que abordam assuntos como Transformação Digital, Inovação, Big Data e Tecnologias Emergentes. Professor convidado da Fundação Dom Cabral. Antes, foi professor do MBA em Gestão Estratégica da TI pela FGV-RJ e da cadeira de Empreendedorismo na Internet pelo MBI da NCE/UFRJ.